Saturday, January 18, 2014

16 de Janeiro

Depois da Chuva
Part 3


Ao abrir os olhos mais uma vez estava deitada no sofá olhando para o teto e com Matheus ao seu lado segurando-lhe a mão.  Ela se assustou ao ponto de que seu coração batia tão forte que ela achava que iria quebrar a própria costela.   Ela sabia que estava na beirada de sua sanidade, havia desejado vê-lo outra vez por muito tempo, mas agora, que ele estava lá...Como poderia ela reagir?
Ela colocou a palma sobre a testa e suspirou pesadamente sacudindo a cabeça de leve.
Eu sabia... Enlouqueci…Reclamou ela, para si mesma.
Matheus teve que conter a risada, ela estava linda de bochechas rosadas e olhos fechados enquanto reclamava baixinho. Era uma das pequenas coisas que ele sempre amara nela, e nem a vida ou a morte poderiam mudar.
– Ju… Meu amor, por favor, contenha-se, eu... Eu só tenho essa noite. – ele disse docemente, como se estivesse falando com uma pessoa que acabara de ver um morto, afim de não assusta-la ainda mais do que ela já estava. – Eu ... Tenho que te falar uma coisa minha querida.
Ela sentou-se na beirada da cama, observando-o, com tremulas mãos ela esticou o braço e deixou os dedos tocarem levemente a pele de seu único e eterno amor. Ela podia sentir o calor, o cheiro dele, o sorriso dele era tão lindo... Tão real. Mas como ele poderia? Como aquilo poderia ser tão real.  
– Meu amor...Por favor me diga que é você. Diga que não estou sonhando –  As lágrimas acumulavam-se nos olhos dela e caiam devagar e silenciosamente. – Ah meu amor, se isso for um sonho... Não me acorde, não me acorde nunca mais. 
Matheus sorriu e abriu os braços para abraçá-la, beijo-lhe as bochechas antes de limpar as lágrimas do rosto de Juliana.
– Sou eu, em carne e osso... De volta por uma noite.  E eu te amo tanto.  – Matheus levantou o rosto de Juliana com o indicador e beijou-lhes os lábios.
Era um delicado e carinhoso beijo no inicio, as curvas de ambos lábios se reconhecem, as mãos dela encontram a curva do pescoço dele o puxou para perto, ele respondia os estímulos dela deixando suas mãos percorrem  a extensão de suas coxas.
O beijo durou uma eternidade, mas uma eternidade muito pequena para todo aquele sentimento de saudade e dor que se acumularam no coração dela e toda a tristeza de vê-la sozinha que não o deixava ir em frente.   Ela o olhava com carinho e saudade, perdidas nas cores quentes dos olhos dele, era impossivel de chegar mais perto, ou de parar de sorrir, nem para ela, nem para ele.
– Como? Por quê ?
– Eu tinha assuntos interminados aqui...
– Que assuntos?
Matheus respirou profundamente, quando estava vivo ele sabia exatamente o que dizer quando fosse pedir Juliana em casamento, ele recitaria aqueles versos do poema que ela havia lhe dado no primeiro encontro,  levaria uma rosa, que era sua flor preferida...Havia um planejamento...  Mas isso era quando ele estava vivo, quando as coisas pareciam mais...Fáceis.
– Fala de uma vez! –  Juliana disse nervosa, não era todo dia que se namorado morto voltava para um última visita, e lá estava ele...Enrolando.
– Deixa eu pensar um pouquinho... è uma coisa importante.
– Então fala!
Ela segurou-lhe o rosto com as mãos e deu uma sacudida, não importava que tudo em que ela acreditava tivesse sido jogado pela janela , junto com toda lógica e os conhecimentos que ela tinha do mundo, Matheus estava de volta, por uma noite como ele tinha dito, ela podia sentir o rosto dele em suas mãos e olhava dentro dos olhos dele, mesmo que aquilo fosse um sonho... Era a melhor coisa que ela podia querer.
– Bem... Quando eu fui… Erm… Bem você sabe, eu tinha ido comprar um anel para você, o anel que eu ia usar pra te pedir em casamento. Eu precisava te dizer isso, eu tinha que te dizer que eu nunca descumpri minha promessa, eu sempre estive perto de você, olhava você indo à minha lápide...  Eu só queria... Estar com você...
Desajeitadamente, Matheus colocou a mão no bolso e de lá tirou o anel que era para ela. E gentilmente, colocou o anel no dedo anular da mão esquerda dela.
Juliana tinha os olhos vermelhos e as lágrimas escorriam pelas bochechas dela enquanto ele colocava o anel em seu dedo, ele ia pedir para casar com ela, ele morreu por que  ele queria fazê-la feliz...  Aquilo quebrou em milhões de pedacinhos, pedacinhos ainda menores do que já estavam. Sem palavras Juliana escondeu a cabeça no peito de seu antigo amor e começou a chorar.
Um choro descontrolado, culpado, triste e completamente apaixonado, misturando os soluços com beijos molhados nos braços e pescoço. Suas mãos fechavam fortemente ao redor das mãos dele, como se ela estivesse segurando-o com medo de que Matheus fosse escapar como água pelos dedos dela.
– Não é justo...  –  ela disse em um voz enrolada enquanto ela socava um travesseiro com força – Não é justo... Deveríamos ter ficado juntos... Casado, ter filhos, dois deles, três cachorros e um peixe de aquário – E ela chorou todas as lágrimas que ela guardou por todos os dez meses que haviam passado.
 O coração de Matheus ficou pequeno dentro do peito dele, vê-la daquela forma, foi a pior coisa que ele já sentira, pior que a morte que teve que viver e aceitar... Era por isso que ele não conseguia seguir em frente.  Ele tinha que fazê-la feliz… Ele prometera.
Segurando o queixo de Julian, Matheus sorriu tristemente olhando-a nos olhos, eles sempre tiveram uma estranha maneira de falar um com o outro sem usar palavra nenhuma, e olhando dentro dos olhos dele, Juliana sorriu.
– Eu morri, isso não dá para mudar... Mas eu vou te dizer uma coisa, fazer uma promessa, uma promessa eterna...  meu amor jamais irá desaparecer.  Eu fui seu, de corpo, alma e coração, eu te amei desde da primeira vez que eu  a vi, e isso nunca mudará. Morto ou vivo, eu sempre vou te amar e mesmo estando longe... Eu jamais vou te abandonar. Nunca. Eu te prometi isso e nunca vou descumprir essa promessa.
– Eu nunca duvidei de você meu amor... – Ela limpou as lágrimas que escaparam os olhos dele. – Eu sabia que você esta por perto, eu podia te sentir... Eu sinto sua falta todos os dias... E vou sentir para sempre… Mas eu te amo tanto… Tanto.
Então as palavras acabaram  e Juliana abraçou Matheus buscando os lábios dele com os dela, beijando-o com vontade e afeição. Os dedos frágeis de Juliana se enrolaram nos cachos escuros de Matheus,  que a puxava para perto, serpenteando os braços dele ao redor da cintura dela.
Era inacreditável como mesmo depois de tanto tempo longe, depois de tanto tempo morto,  ele ainda sabia o que fazer para ouvir os trêmulos gemidos de Juliana.  Ele traçou os lábios dela com o dedão e sorriu maliciosamente.

– Se vamos quebrar as regras – ele disse escorregando as mãos pela cintura dela até encontrar o botão dos shorts dela.  Melhor quebrar  com estilo... 

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