Tuesday, January 28, 2014

27 de Janeiro

Diálogos perdidos.

Pecador: Perdoa-me padre, pois eu pequei.
Padre: O que aconteceu meu filho?
Pecador: É uma longa história padre.
Padre: Eu tenho tempo... Fale meu filho.
Pecador: Tudo começou na semana passada, quando ela se mudou para o meu edifício. Eu nunca tinha visto alguém tão bonita quanto ela... A gente se encontrou no elevador, ela estava com uma caixa, ela tinha um cheiro doce,  parecia com cheiro de festa de feira. Doce, forte, quente... Ela olhava para o contador dos andares, completamente inocente do que ela estava fazendo comigo.  Pequena, de cabelos escuros... Aquelas bochechas tão rosada do esforço, a curva do quadril largo., os pés livres em duas sandálias de tira... Levou um tempo para que eu pudesse me recuperar quando ela desceu no quinto andar. Eu fiquei na minha janela, olhando ela entrar e sair do prédio carregando caixas e malas.
Eu podia sentir o cheiro dela preso nas minhas roupas e foi por cousa do cheiro dela que eu comecei a fica... Obsecado.  Não sei quando eu comecei a seguir essa menina,  mas eu comecei a saber todos os movimentos dela, todas as coisas que ela fazia, com quem fala... Não sabia o nome dela, nem me importava muito.
Foi uma quinta feira quando tudo aconteceu,  ele entrou no elevador, e eu estava lá, esperando... Foi rápido, mas durou uma eternidade para mim. Naquele momento eu fui completo. Aquele foi meu infinito.
Ela não gritou... Nenhuma vez, apenas me olhava com medo, pavor... Era um sentimento terrível, que pingava dos olhos dela... E eu achei tão lindo... Tão... Perfeito.
Padre: Meu filho... O que você fez?
Pecador: Eu fiz o que era preciso.
Padre: Mas você... A jovem ...
Pecador: Sim... E é uma pena eu ter contado tudo isso a você padre... Eu gostei de você...



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