Thursday, January 2, 2014

2 de Janeiro

Oh Captain, My Captain
Dizem que a vida imita a arte, escutei isso minha vida toda  e ainda sim, nenhum dragão veio me sequestrar e me levar para torre mais alta, do castelo mais perigoso em uma terra distante cheia de mistérios. Se bem que eu mesma nunca me  descobri uma princesa então o dragão está perdoado.
Mas eu nunca comecei a dançar e cantar quando estava muito feliz, ou muito triste, e mesmo que eu começasse, duvido muito que uma mágica misteriosa banda mágica começasse a tocar e as pessoas a minha volta conhecessem meus passos e se transformassem em meus dançarinos de apoio.
Nenhum jornalista libertino e sedutor tentou descobri algum importante segredo meu e acabou se apaixonando loucamente por mim, fazendo declarações que eu rejeito até o momento em que ambos nos rendemos a uma louca, cálida paixão que terminou com a morte dele devido a um horrível acidente.
E eu nunca tive um professor brilhante e não convencional que me ensino as coisas da vida em suas aulas e me fez crescer como pessoa...
Até hoje.
Lembro-me muito bem da primeira vez que assisti ao filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”   , eu era jovem, deveria ter uns quatorze anos, mas ainda sim aquele filme me marcou profundamente. Era um filme que falava muito mais do que simples poesia e um professor encantador, era uma busca sobre a liberdade, mas não a liberdade de correr na rua de braços abertos, mas uma coisa poderosa vinda de dentro. Era algo como uma brasa que estava dentro de você, adormecida, que precisava de uma pequena fagulha, um tipo certo de combustível para fazer aquele fogo arder...

Eu pensava nisso com quatorze anos, e penso até hoje, me parece algo que vale a pena buscar, mas que fortuna e fama. Posso mudar de ideia no futuro... Mas eu duvído disso.
O fato é esse: Desde que eu assisti a aquele filme, procurei em todos os meus professores um professor que fosse o meu próprio Mister Keating. Buscavam entre meus professores de ensino médio e  nenhum deles tinha aquela coisa... Sabe? Acho que era pedir de mais para aquelas pessoas, que fizeram um belíssimo trabalho em enfiar conteúdo dentro do meu teimoso cérebro. Sou agradecida a eles, mas ... Nunca encontrei aquele professor que fosse mudar tudo.
Ai as pessoas crescem, os desejos e sonhos cinematográficos se dissipam como uma fina névoa que se acumula perto dos seus pés, aquilo que está presente mas ninguém realmente presta atenção. 
Entrei na faculdade, fazendo um curso que nunca foi o que eu queria, longe de todas as coisas que me fazem feliz e sem nenhum tipo de esperança para que eu realmente gostasse daquilo que eu estudava.  Emocionalmente, eu estava no fundo do poço... Não era um lugar legal de se estar.
Minha irmã porém, presenteou-me com uma brilhante ideia, se eu gostava tanto de literatura, poderia fazer uma matéria de literatura para poder sair daquela... situação tão ...deprimente que era minha grade horária.
O curso era de romantismo Brasileiro, todos os alunos eram de Letras, Literatura, ou alguma coisa relacionada a essas áreas, eu deveria me sentir deslocada e sem saber o que fazer num lugar como aquele, né?  Mas a verdade eu me encontrei lá, as aulas eram como um retiro espiritual, e mesmo que fora completamente da minha grade, e mesmo que fora dos meus horários, quando a aula começava... Eu era realmente feliz.  Dentro daquelas salas de aula,  o mundo era meu, e não importava quão enorme meu dia fora, eu estava completamente  desperta e com uma fome de conhecimento.
Eu gosto de culpar a professora por isso. Ela era uma jovem  que poderia facilmente se passar por uma aluna, tinha uma voz doce e poderosa, um carisma único e era realmente apaixonada pelo que fazia. Dava para ver nos olhos delas, ouvir a paixão pelo que fazia quando ela lia trechos das obras que estudamos, era um cuidado maternal para com as palavras, um sentimento protetor para com os autores... Esses detalhes nela que me fazia ficar mais e mais curiosa, sedenta por novas informações e ansiando por mais e mais aulas.
Naquelas aulas noturnas eu descobri novos mundos, via um desfile etéreo de autores e obras que nada mais eram que pontos a cumprir na lista de leitura do vestibular se tornarem meus amigos, fui apresentada a diversas facetas e novas cores a autores e livros que eu julgava serem... Chatos.  Perdia-me  dentro de longos e densos textos  como se fossem apenas uma nova forma de divertir-me.
Eu me encontrei lá, em uma turma que eu não pertencia,  tendo uma aula que eu não deveria, que de fato eu deixei de ser apenas uma vontade interior para que eu pudesse colocar pra fora a pessoa que eu realmente queria ser.  E eu gosto de culpar aquela professora.
Ela me ensinou, nas entrelinhas das aulas,  que a liberdade que eu busquei por tanto tempo, estava não em fazer apenas o que eu queria, mas em encontrar um equilíbrio, uma harmonia entre o que é necessário e aquilo que é agradável. Era a forma que ela lidou com as adversidades do semestre que eu pude inspirar-me a pensar de forma diferente, a paixão não é aquilo que você faz o tempo todo, mas aquilo que quando você tem tempo de fazer, faz por inteiro.  Liberdade é ter uma paixão, aquilo que nas poucas horas de dedicação que você têm, você se entrega e nada mais importa... e quando acaba, você está feliz o suficiente para fazer o que é preciso.

Eu queria ter um professor como Mister Keating, mas tive algo muito melhor. Minha professora de literatura foi real. 

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