Friday, February 14, 2014

13 de Fevereiro

O Fim

Meus pulmões ardiam pelo esforço de gritar, parecia que eu ia acabar sufocando em minhas próprias lagrimas. Estávamos no fundo de um poço que nós mesmos havíamos cavado, infelizmente juntos.  
Então de súbito eu parei de gritar e me joguei no chão, mãos e braços abertos, eu tinha desistido.  
- O que está fazendo? – ele gritou confuso e assustado com minha atitude repentina.
- Desistindo, cansei de brigar.
Essa era a verdade estava esgotada daquele veneno que havíamos nos tornado, foi uma verdadeira surpresa o ver deitar ao meu lado.
- Não costumávamos brigar tanto – Havia uma nostalgia triste em sua voz.
- Não ... – Admiti
- Você consegue achar uma explicação? Um por que para tudo isso?
- Não somos mais os mesmos...  – falai enquanto minhas lagrimas escorriam pelo meu rosto.
Ele segurou minha mão, pela primeira vez sem nenhuma raiva ou luxuria era só carinho e disse com uma suavidade melancólica:
- Somos a sombra do que um dia fomos... Eu perdi a mim mesmo... E você já não é quem costumava ser... E juntos destruímos o “nós” que existiu...
- Como não percebemos isso? Por que a gente não notou? – perguntei do fundo do coração.
- Acho, que estávamos gritando um com o outro.  – Ele riu baixinho mas sem achar muita graça, eu ri junto.
Acariciei a mão dele fazendo pequenos círculos com meu polegar.
Ele respirou profundamente, uma, duas , três vezes  eu havia convivido tempo de mais com ele e sabia que ele estava buscando coragem para falar alguma coisa... E falou:
- E o que fazemos agora?
- Eu não sei ... – fui sincera
Nos dois sabíamos o que ia acontecer, sabíamos o que devíamos fazer precisávamos apenas aceitar o fato,  “aquilo” entre nós estava sendo tão destrutivo para ele quanto para mim.
E era torturante estar junto daquela maneira .
- Acho que já...- Começou ele, mas a voz morreu antes de terminar a frase.
- Que não podemos mais?
- É... Já não podemos mais
- Acho que estamos nos envenenado... – respondi triste a uma pergunta  que pairava no ar
- Chegamos a um ponto em que nenhum de nós agüenta mais.
- Precisamente
Encarávamos o teto do apartamento vazio, e segurávamos, um do outro, como se fosse a tábua de salvação em uma tempestade bravia.
Com o rosto lavado de lágrimas eu admiti:
- Não quero te perder assim.
- A gente ainda pode escolher como isso acaba... Já não podemos mudar o que passou, mas ainda temos a chance de escolher como vai acabar. Escolher o nosso final
- Você não vai matar o herói na cena final do filme vai? 
Rimos junto, um riso triste e quase sem vida, era o final da nossa jornada juntos, uma vida a dois que foi tão boa quanto destrutiva.
- O que fazemos agora? – perguntei
- Agora?
-É...
- Nada, penas ficamos aqui um pouco...
- Suspirei de olhos fechados – E depois?
- Depois?  Ah depois terminamos nossa história, sem lágrimas e sem ofensas. – Ele fechou os olhos também.


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