Saturday, February 8, 2014

8 de Janeiro

Ela
Era uma noite quente, insuportávelmente quente. Ela deitava-se na cama e sentia o colchão sob ela fervendo, os lençois grudavam em seu corpo, colavam nele como uma nova pele. O ar ao seu redor estava pesado, úmido… Quente, era difícil de respirar, difícil de mnter os olhos fechados enquanto seu corpo era icinerado de dentro para fora e de fora para dentromao mesmo tempo. 
O pior no entanto não era o infernal calor que a arrematava como uma laço prende um bezerro, era a música, aquela sinfonia dos diabos chamado “funk” que tocava em um carro rebaixado com o porta-mala transformado e, um portão para a sala do capeta, ou como os jovens constumavam chamar, um som. A música eram tão auta que ela considerava realmente o quão ruim seria se ficasse surda?
“Será que doi enfiar um garfo no tímpano?”
Se questionava ela enquanto lutava com os lençois feitos do que parecia ser fogo líquido aderindo a sua pele. 
Maldição.
Como podiam as pessoas gostar daquilo? Como podiam adorar a estação do calor e divertir-se com músicas de tamanho mal gosto? Ela bufava e rollava na cama, não fazia o menor sentido, e aquilo estava começando a tirar a jovem do sério!
Fechou os olhos pela milhonéssima vez, mas diferente das outras tentativas, ao cerrar as palpebras ela pode ver algo que… Não deveria. 
Era um tanque de gasolina, com um microscópico furo, que gotejava devagar, cada gota escorria por um tubo que ela não conhecia o nome e caia no chão. Cada gota levava um tempão para cair, e de alguma forma eu podia ver isso. Via também que a gota caia perto de um fio, um fio que se fosse desemcapado… Se liberasse uma pequena faisca…Só uma faísca, a coisa toda iria pelos ares, e seria… Lindo. 
Enquanto a imagem se formava em sua cabeça, ela sentia uma falta de ar insuportável. Como se uma enorme mão invisível apertasse -lhe a garganta impedindo a passagem de ar. Ao observar em sua mente o lento caminhar daquela infeliz gota a jovem lutava por ar, a mistura de contentamento pela nova e muita estranha, forma de ver as coisas que estavam fora do alcance de seus olhos, e o desespero que a falat de ar lhe causava. Um grito sufocava-se em sua garganta seca que pedia, implorava por ar. 
Então aconteceu, junto com seu grito uma explosão. Algo tão forte, tão perto que fez tremer as janelas do quarto da república em que vivia. O cheiro de queimado, os gritos e ela finalmente voltara a respirar. O ar entrava devagar em seus pulmões, um ar pesado, cheirando a queimado, deixando o quarto ainda mais quente. Se é que tamanha infelicidade era possível.
Quando se normalizou sua respiração, já não ouvia nada, e o calor, devagar foi dissipando-se em uma brisa só dela. Então, conseguiu dormir 
Dormiu por horas.
 Havia uma nuvem negra sob o céu na manhã seguinte, e um nuvem ainda mais escura sob as pessoas na sala. Havia um jornal e sussurros.
– Morreram? – perguntou uma
– Todos eles... – respondeu a voz masculina
– Como? – perguntou uma voz infantil
– Eram bons meninos... – disse a primeira voz
– Jura? Eu sempre os achei chatos. – Disse a voz infantil
Um som característico de um tapa, e então ela entrou na sala segurando uma caneca de leite morna, havia um sorriso calmo e descansado nos lábios dela, os dois mais velhos, os pais, tentaram sorrir mas não conseguiram.
– Você não vai acreditar no que aconteceu. – Disse o homem, mas ela sabia o que havia acontecia, e  gostava do resultado, mas mesmo assim respondeu com um olhar, quase surpreso

– O que aconteceu?  

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