Saturday, March 15, 2014

13 de Março

Minha mãe.

A minha primeira e mais tenra lembrança, é de quando eu tinha meus quatro anos, ou três, eu estique meu braço no meio da noite e não encontrei  a minha mãe, eu lembro de ter acordado assustada e ter visto minha mãe apoiada na janela olhando a lua lá fora, quando ela me viu, ela voltou para a cama e cantou até eu dormir.

Quando eu nasci a vida era bastante diferentemente que é hoje em dia, os tempos mudaram e as pessoas também, as coisas eram simples e as pessoas muito mias complicadas.
Eu nasci em uma época em que as mulheres estavam começando a serem completamente independentes, mas ainda sim, existia muito preconceito, muita fofoca e muito falatório. Como filha única de uma mãe solteira eu nunca pensei de forma diferente do que a sociedade pensa hoje. !ulheres são fortes e podem tudo, se não mais que os homens.

Minha mãe e eu morávamos em uma pequena casa, em uma pequena vila, em uma pequena cidade de interior, ela era costureira e ganhava o suficiente para nos manter e manter a casa de um quarto, uma sala, uma cozinha e um banheiro. O bom da casa mesmo era o quintalzinho que tinha uma árvore.  Foi embaixo daquela árvore que eu aprendi a ler , aprendi a escrever, e aprender a ver a vida passar com um sorriso no rosto.  Desde de que me lembrava por gente, até o dia que minha mãe morreu dormimos juntas na mesma cama. Hoje eu durmo sozinha nela.

Quando pequena, estudava em um colégio religioso, e por ser uma cidade tão pequena, toda sexta-feira o colégio fazia um lanche no final das aulas para os pais, eu lembro de que eu era uma das pouquíssimas crianças que estava apenas com a mãe lá. Honestamente eu nunca me importei, por que eu achava minha mãe a mulher mais incrível do mundo. Ainda acho.

O que era curioso era que minha mãe por ser costureira sempre ia com trajes extremamente lindos, que ela mesma fazia, e eu sempre escolha as roupas dela, e ela sempre colocava um laço que combinava com a roupa dela. E enquanto as crianças iam brincar, eu sempre fiquei junto com minha mãe, eu tinha medo do que aquelas mulheres malvadas e homens com gravata e cabelo lustroso ia falar com minha mãe. Secretamente achava que era isso que minha mãe queria... té hoje tenho a certeza de que ela me foi muito grata por esses momentos.

Nossa vida era muito simples, e sempre que sobrava um pouco de dinheiro , minha mãe presenteava-me com um livro, que eu ia ler na sombra da minha árvore, ainda que fossemos muito simples eu sempre tive todos os mais maravilhosos brinquedos, não eram presentes da minha mãe e sim da minha Tia Nana.

Tia Nana era amiga da minha mãe desde o colegial, ela era da parte rica da cidade, e todos os dias ela ia nos visitar, menos as sextas-feiras, haviam dias em que ela dormia na nossa casa,na cama comigo e com minha mãe.
As vezes, muitas vezes, Tia Nana tinha que ir embora depois que a noite caia, por que os vizinhos falavam, eles diziam coisas sobre pecados e abominações, eu nunca vi minha tia Nana como uma abominação, era ela a pessoa que eu mais gostava depois da minha mãe, ela que ia me buscar na escola nos dias de semana normais, e quem cuidava de mim até minha mãe chegar.
Eu aprendi a cozinhar com a tia Nana, e quando minha mãe morreu, ela foi a pessoa que mais chorou.
Eu só entendi o amor delas depois de muitos, uivos anos, e quando percebi, passei amar minha Tia Nana ainda mais, por que ela fazia minha mãe feliz.

A doença da minha mãe chegou junto com meu primeiro namorado, eu tinha dezoito anos, a doença durou mais do que aquele romance, foi perto do final que minha mãe contou para mim a minha história . De como eu não era mesmo filha dela, e que na verdade ela me encontrou nos degraus do hospital, e ficou comigo, para algumas crianças, ou jovens adultos como eu, aquilo poderia ser um baque, assustador quase, saber que se fora abandonado na rua, mas para mim... Aquilo sõ me fez mais feliz, minha mãe  poderia ter me deixado lá, mas escolheu cuidar de mim...

Naquela época as pessoas diferentes eram vistas com maus olhos, mas na realidade, o que as pessoas diziam ser uma abominação, foi a única coisa que eu conheci, e me fez ser quem eu sou... Agradeço a ela por isso.

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