Saturday, March 15, 2014

15 de Março


Merda.

Era para estar  tudo bem para ele, depois de quase dois meses que ele teve de férias para poder superar ela, superar o final daquele relacionamento complicado....Era.
Não que ele falasse para alguém, mas... Ele havia observado todos os movimentos dela, seguindo-a em todas as redes sociais, procurando saber se ...era sõ ele que estava sofrendo miseravelmente por estar longe, e a pior parte de olhar cada postarem, cada atualização de status, cada imagenzinha era que... Ele realmente era o único que estava na merda.
Ele via o rosto dela enquanto deitava acordado na cama, olhando as luzes da cidade refletirem-se no teto dele, aquilo não estava certo, como é que ele deveria dormir agora? Se toda vez que ele tinha insônia ligava pra ela e eles falavam até ele cair no sono? Como é que ele poderia sobreviver sem as piadas dela, e sem as estúpidas histórias que ela inventava?
Ruim não era estar longe, mas perder que quando se estava longe, ele já não era o mesmo, ela era uma droga que ele aprendeu a usar, um remédio que ele jã não sabe para que serve, mas não pode ficar sem...
A merda mesmo... É que ela nem sentia a falta dele.
As férias foram acabando e ele sabia que isso era preocupante, quanto mais perto as aulas estavam mais perto ela estava também... Eles iam se ver e essa idéia o aterrorizava e o acalmava.
Entre os novos status dela, que eram lidos, relidos, e analisados  até os limites da racionalidade e os ensaios de discursos que ele faria para ela assim que a encontrasse na sala, usando aquela camiseta branca com detalhes cor-de-rosa, que ela sempre usava no primeiro dia de aulas, as fantasias de como ela iria se impressionar com a frieza dele e  se apaixonar perdidamente, talvez pela primeira vez e as horas de silêncio absoluto no quarto onde ele tentava reter memórias deles dois... Ele tentava viver a vida dele... Talvez agora, mais do que nunca ele não conseguia de parar de pensar nela!
Trinta e sete vezes ele pegou o telefone para ligar para ela, trinta e seis ele atirou o telefone no sofá, uma vez ele ligou, mas ela não atendeu.
...
Chovia quando ele estacionou o carro e caminhou para a sala, ela já estava lá,rodeada pelas amigas que falavam do cabelo dela, que ela tinha cortado, curto, estava linda... Ela sempre teve vontade de cortar o cabelo curto mas ele sempre preferiu cabelo longo, as amigas falavam do vestido azul que ela estava usando, era de um tecido leve e fazia ela parecer mais... Nova, mais feliz.
Ele sentiu-se estúpido usando a camisa azul com detalhes brancos que era o par da camisa dela... Por que ela não estava usando a camiseta branca?
Ela estava de pé quando ele sentou, fazendo uma algazarra, rindo e fazendo passos de dança ridículos... Mas todas as meninas com ela riam também, alguns caras estavam perto, conversando e rindo, como se eles fossem amigos!
Ele sentiu como se uma faça quente fosse enfiada dentro do estômago dele, o que aconteceu naquele tempo que eles estavam separados? Desde quando ela se tornou tão social, quando eles estavam juntos ela sempre sentava perto dele e ficava quieta a aula toda, conversando com ele, segurando a mão dele... Ela não usava vestido, ela não dançava e balançava os cabelos curtos... Ela era uma garota adorável quando eles estavam juntos... E agora ela parecia uma... Uma...
Ele levantou-se e a encarou, seus olhos penetravam os dela e a menina de cabelos curtos e vestido disse as amigas que ia lá fora por um instante.
Ao aproximar-se dele a menina sentiu o pulso ser firmemente agarrado,e com a mesma violência que ele a segurou ela puxou o braço, observando-oncom ferocidade.
- Eu sei andar sozinha, me larga.
Nenhuma palavra foi dita por ele, eles caminharam para a porta e ele a olhou de cima a baixo com desgosto escorrendo pelos poros.
- Você esta vestida feito uma vagabunda,
-Estou?
-As pernas de fora, os peitos quase pulando... Tá parecendo uma puta.
-É só isso que você quer?
-Como você pode me humilhar dessa forma?
-Humilhar você?
-Você é a minha namorada
-Não... Não sou, não sou sua namorada por quase três meses, eu não tenho nada a haver com você.
-Quem fez isso com você?
-Eu mesma... Olha foi um desprazer te ver, então eu vou voltar lá dentro com as minhas amigas...
-Pra quantos você deu nas férias?
-Não é da sua conta
Ela virou as costas para ele e começou a andar, ele segurou o braço dela com força e antes que ela pudesse dizer alguma coisa, sentiu a palma dele acertar sua face em cheio, ele era forte, muito mais forte que ela. E depois do choque inicial, ela pode sentir o sangue do lábio cortado dentro da boca e as lágrimas escorrendo pelos olhos. Envergonhad a ela encolheu-se no canto que estava, temendo e assustada, tentando escapar da mão que a segurava.
Três rapazes que ela não conhecia, saíram da sala, um deles  puxou o braço do ex namorado e o afastou dela, os outros dois estavam tendo certeza de que ela estava bem, um até se voluntáriou a levá-la a um hospital.
-Isso é o que acontece com vagabunda.
Disse o ex namorado com raiva.
Um dos rapazes desconhecidos o encarou com puro nojo, e sorriu maliciosamente.
-E sabe o que acontece com filho da puta em prisão? Vira boneca, eu vou levar ela pra delegacia agora... Eu se fosse você... Ligava para um advogado.

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