Friday, March 28, 2014

25 de Marça


Baldes, água e o  sotão.


Sir Arthur Conan Doyle disse, com os lábios de Sherlock Holmes, que o cérebro é como o sótão de uma casa, e que o conhecimento são os móveis que se põem lá, e que sempre vai existir a necessidade de se analisar o que se deve ou não aprender, visto que o sótão é um espaço limitado.

Em boa parte concordo com o senhor Holmes.e o Senhor Doyle, adquirir conhecimento é  uma tarefa complicada  é necessário preparar o seu cérebro para receber uma nova quantidade de informação e pior ainda, tentar reter essa informação lá dentro.

No entanto, diferente de um sótão, para mim o cérebro é como um balde com um pequeno furo no fundo, onde nós tentamos manter a maior quantidade de líquido possível sem jamais concertar o furo.

Imagine que você leu um livro para faculdade, e isso significa despejar dois copos d'água no seu balde mental,  que por você já estar na faculdade deve estar no mínimo, Meio cheio.

Digressões filosóficas sobre a recepção negativa ou positiva de um fato concreto, a parte isso significa que você esta aumentando a quantidade de liquido, conhecimento, mas existe o furo lá no fundo, e quanto mais você enche mais coisa se perde.  Obviamente essas partes são em si diferentes, o furo é muito pequeno e a abertura é muito grande, mas isso não anula o fato de que quanto mais coisa você coloca lá dentro, mais coisa se perde.

É claro que algumas pessoas usam de ferramentas para prevenir que esse vazamento tarde, técnicas de memorização  que basicamente é como colocar o dedo no buraquinho, não impede o vazamento, mas leva mais tempo para que as coisas se vão.

Esquecer as coisas que você aprendeu na quarta série não me parece  o problema, o que é muito difícil é esquecer quem eram seus coleguinha, quem era sua professora?  Alguém já percebeu que as pessoas e os fatos de natureza não escolar, e eu uso escolar como sinônimo de assuntos textuais que se desenvolve em instituições de ensino como escola e faculdade, como pessoas, sentimentos, rostos são muito mais fáceis de serem esquecidos?

Eu não lembro da minha professora da quarta série mas sei que foi lá que eu aprendi a tabuada de dois ao nove.

Ê isso que de fato me preocupa é que por não termos controle do que sai de nossas cabeças,e por treinar  nosso cérebro a entender que a informação útil, escolar, é mais relevante que as memórias intimas e pessoais,  acaba-se sempre , e quase inevitavelmente, perdendo-se as memórias...

E se o que me faz eu mesmo são as minhas lembranças, saber e lembrar das minhas escolhas, saber e lembrar dos meus desejos, realizados ou não, eu me pergunto se  quando o dia vier que eu já não lembrar mais da minha infância, e sobre todas as leis de todos os códigos de cor, eu ainda serei eu?

O que me acalma é que como ainda faltam metade de meu curso para eu terminar, essa pergunta também irá escorrer do furo pelo furinho do meu cérebro e eu ficarei em paz.

Talvez esse pensamento tenha me acordado hoje por que é uma questão que de fato me assusta ou por que eu tenha entrado no estagio dois do espectro emocional que eu passo durante um semestre de direito, eu entrei na negação/depressão.


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