Monday, April 14, 2014

13 de Abril

Os Sete

Gula


Ninguém mais fica em bibliotecas. Grande ou pequenas, públicas ou particulares, novas ou velhas... Ninguém vai mais a bibliotecas. Não como antes.
Antes era fácil para os comedores de sonhos alimentarem-se, era apenas entrar nas bibliotecas e lá estariam eles... Espalhados sobre a cabeça das pessoas, de todos os tamanhos e cores, todas as formas e sabores...
Os sonhos, confeitados com romances ou temperados com aventuras, picantes com os contos de terror, e porções incontáveis  de devaneios perdidos por entre as estantes e dentro dos livros que eram deixados nas mesas quando as pessoas saiam para o tal mundo real.
A verdade é que sonhos são muito mais saborosos que os pesadelos, e tem uma grande qualidade de sabores, mas os Bakus podem apenas alimentar-se dos pesadelos, e ainda que fiquem tentados a comerem os deliciosos sonhos que os humanos e outras criaturas eram um presente divino, da luz e da escuridão, e por tanto,  território proibido para os comedores de sonhos...
Proibidos eram os sonhos verdadeiros, aqueles que veem da alma quando se está em um sono profundo,os Bakus tinha certa permissão para pegar, observar, cheirar, e deleitar-se com os devaneios esquecidos por entre os livros, ou em cinemas e parques... Qualquer lugar que uma pessoa possa sonhar acordado e depois esquecer o que pensou, muito possivelmente é por isso que se encontra muitos Bakus por entre esses ambientes.
Ainda que a maioria dos bakus andasse por outras bandas, Kael ainda acreditava nas bibliotecas, e por vez ou outra... Conseguia pequenos resquícios de sonhos aqui e ali... A verdade e que Kael é um romântico, ele  sempre preferiu acreditar nas palavras escritas que nos filmes ou nas musicas... Por que... palavra é o sentimento derramado em tinta.
 O mundo se transformou em um lugar tão sem cor... Eram tempos difíceis para os comedores de sonhos... As pessoas estão ocupadas de mais para deixar a mente divagar, ocupadas de mais com a vida real para que os sonhos se aproximem deles, ocupadas demais criando tempo que ele esquecem de viver E... Se as pessoas não sonham acordadas...  E sem sonhos espalhados por ai, qual é a função de um Baku?
 Kael é um Baku e tinha 22 anos, não 22 mil, não 220... 22, apenas. Nasceu em uma família com tudo de mais, filhos de mais, pobre de mais, brutos demais, contas de mais, sofrimento demais...
Ainda que ele não goste de pensar nisso, ele não acredita de fato  que os pais perceberam quando ele adoecera e começou a sentir a vida escapar-lhe os dedos, mas antes disso, antes da doença, quando vivo, foi um rapaz estudioso, gostava de música e poesia, era popular com as meninas do colégio devido aos olhos imensamente azuis e sedutor sorriso.
Kael morreu com dezoito anos, e era humano quando morreu, era um jovem  inteligente e ainda que estivesse bem mais velho que uma criança,  mantinha a mentalidade, o espírito de uma criança. E foi por ser tão puro que ele foi escolhido para tornar-se mais que um humano.
Ele sabia que havia morrido, mas estava vivo de novo, como um dos comedores de sonhos. Ele era um Baku.
Bakus ou os Filhos de Irvin, eram , junto com as Sereias,  os guardadores da magia, eles controlavam o mundo irreal, sonhos, pensamentos, as ilusões, almas  vivas, e com certa pratica, os sentimentos também, Kael ainda estava prendendo a lidar com sentimentos mas ele aprendia bem rápido, e em segredo fazia pequenas experiências.
Era uma manhã calma e fria e Kael caminhava pelas poucas mesas usadas na biblioteca pública, recolhia os livros que depois os levaria para as prateleiras corretas a fim de guarda-los e só então abriria o lugar para o publico,distraído ele quase não percebeu o homem sentado na janela segurando um livro antigo e cheio de poeira, e quando o viu levou um susto.
Era um homem de cabelos bagunçados e quase na altura dos ombros, tinha olhos escuros e muito fundos, o rosto parecia cansado mas ele sorria levemente quando os olhos escuros encontraram os azuis delicados de Kael.
- Olá - disse o homem ainda na janela
- Bom dia emm... Como o senhor entrou aqui? - perguntou Kael curioso, afinal a biblioteca ainda estava fechada.
- Uma pequena porta, perto da saída de ventilação.
 Kael sorriu, ele conhecia aquela porta, mais de uma vez escapou por ali para poder  ver a lua crescer no céu.  Ele era um grande apreciador da noite, eram quando os sonhos brilhavam mais que as estrelas no céu.
- Eu precisava  lhe falar meu jovem, a sós.  - disse o homem
-Comigo?
- Sim meu amigo, eu preciso de um Baku.
- Eu sabia que você não era exatamente normal - Kael tentou esconder uma pequena risada mordendo o lábio.  - O que você precisa de mim? E o que exatamente você é?
- Me chamo Lucien, filho de Bastet, quero falar sobre A primeira lenda, o que você pensa dela?
- O que eu sei é... A maior parte de nós não acredita nela, não mais. Passou-se tempo de mais, vieram novas lendas, e nenhuma prova da veracidade da Primeira Lenda. Nas escolas nem se quer falm dela, a gente só sabe quando... Passa pro lado de cá da mortalidade sabe... Mas... O seu olhar me diz que você vai me provar do contrário.
- Exatamente. - E tirou do livro uma foto. Era uma sereia cabelo brancos, uma calda negra, seria uma sereia ordinária mas havia algo muito estranho a mulher tinha... Rugas. Profundas e antigas, cheias de história e vida. - Essa é Annielle, morreu há menos de um mês. Ela estava morando com outros cinco pessoas em uma casa perto da praia, em País não tão longe, ela era viúva...De um Vampiro. 
- Então... Você quer dizer que...  Nossa, isso é... Puta que Pariu, isso é impressionante, quase... Surreal, quer dizer que eu... Posso... Voltar a ser o que eu era?
- Mais ou menos você vai ser um Baku que envelhece e então, um dia, você vai estar velho de mais e... Morrer. Mas isso só acontece quando a Primeira Lenda é cumprida.
- Bem isso quer dizer que você precisa de um de cada... - Rapidamente ele contou nos dedos quantas eram as diferentes espécies de sobrenaturais que havia. - Seriam sete pessoas em uma única casa... Sete pessoas que não morrem e que... Tecnicamente são de... Como eu posso dizer isso educadamente? Espécies rivais. Eu quero dizer nenhuma sereia gosta de um Baku, e vampiros e lobisomens não são conhecidos por serem amigos, se é que me entende.
- Entendo, mas acho que se todos nos tivermos o mesmo objetivo...
- Ser humano de novo?
- Ou pela primeira vez em certos casos...
- Quantos você já tem?
-Seis...
- Ora, eu sou a peça final do seu quebra cabeça?
- De certa forma.
- Onde é que eu vou morar?
Outra Foto, dessa vez de uma casa bem grande com uma pequena loja na frente. Era uma casa velha que precisava de reforma mas tinha algo especial. Parecia um... Lar.
- Parece bonita - Kael disse com um pequeno sorriso.
- Comprada com ouro de um dragão.
- Sério?
- Sim, o nome dela é Cornélia, comprou a casa que era de um surfista, fica perto da praia e tem espaço para todos nos...

- Quando eu posso mudar?

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